Consumo das Famílias cai pelo nono mês em Maceió

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A pesquisa do Índice de Consumo das Famílias (ICF) realizada pelo Instituto Fecomércio AL em parceria com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) demonstra que, pelo nono mês consecutivo, o indicador recua em Maceió, embora a variação de 0,1% registrada em outubro tenha viés de estabilidade. De janeiro a setembro, a capital teve queda acumulada de 5,4% no nível de vendas, quando comparado com dados da pesquisa mensal do Comércio do IBGE para o mesmo período do ano passado.

Apesar destes números, a tendência é de recuperação, conforme observa Felippe Rocha, assessor econômico da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Alagoas (Fecomércio AL). Isto porque, em setembro, o recuo tinha sido de 0,4%, ou seja, maior do que o de outubro, indicando que os dados de novembro poderão apresentar crescimento nas vendas. “Analisando o período, percebemos que há recuperação do Comércio, pois a queda acumulada até agosto era de 7,2%. Embora as vendas de setembro não tenham conseguido superar as de agosto, mesmo havendo a Semana do Brasil, houve aquecimento em novembro devido à Black Friday, o que certamente trará indicadores mais positivos”, ressalta.

Essa tendência pode ser vista, também, por meio dos dados do Caged. De julho a setembro, houve retomada de postos de trabalho no Estado. E, em Maceió, agosto foi o primeiro mês de recuperação de empregos após o isolamento social, gerando mais de 800 postos de trabalho. Em setembro, os números são melhores, pois foram criados 2.239 empregos, com todos os segmentos econômicos contratando.

Na pesquisa de consumo das famílias, o indicador sobre a manutenção de emprego atual teve crescimento de 0,4%, em outubro. Considerando que no mês anterior a alta foi de 1,4%, os números atuais indicam que os consumidores estão com menos medo de perderem seus postos de trabalho. “Isto ajuda a reduzir as incertezas e a elevar os níveis de consumo no futuro próximo, já que a recuperação do consumo ainda não aconteceu na economia da capital”, reforça o economista.

Ainda assim, o subindicador que avalia se há perspectiva de melhora profissional no horizonte até o final do ano apontou queda de 5,4%; mesmo percentual registrado em setembro. “Ainda vivenciamos os efeitos da pandemia, mas de certa forma há uma volta da normalidade no ritmo de trabalho e do comércio, fazendo com que a confiança em manter o emprego seja alta. Porém, como os empresários tiveram muitos prejuízos este ano, dificilmente os colaboradores vão receber melhoria em seus rendimentos”, estima.

Embora a inflação de outubro tenha sido a mais alta dos últimos 18 anos, ficando em 0,86%, e que a inflação da baixa renda, segundo o IBGE, tenha sido de 0,71%, os consumidores apontam que a renda atual está 0,7% maior quando comparada ao mesmo mês do ano passado (em setembro esse subindicador foi de 3%). Este desempenho pode ser explicado pelo fato de o Auxílio Emergencial e o saque emergencial do FGTS ainda estarem em vigor e as famílias que não perderam o emprego, mas que estão usufruindo desses benefícios, estão com a renda temporariamente maior do que no mesmo período do ano passado, criando o que a Economia chama de ilusão monetária.

Impulsionadas pelo Dia das Crianças e promoções pontuais, as compras a prazo aumentaram em outubro, com um crescimento de 8,1% no uso do crédito. Além disso, o nível de consumo atual cresceu 4%, mas não foi suficiente para haver crescimento na variação mensal, isto porque as famílias de baixa renda apresentaram queda muito acentuada em detrimento da pequena elevação do consumo entre as famílias de alta renda.

Já o subindicador das perspectivas de consumo para os próximos meses apresentou queda de 2,6%, refletindo a redução de beneficiários do saque emergencial do FGTS e do Auxílio Emergencial que, em outubro, foi reduzido pela metade e limitado a um número menor de pessoas. Assim, em Maceió, a intenção em adquirir bens duráveis caiu 7%, sinalizando que a renda adicional extraordinária está sendo utilizado para bens de consumo não-duráveis, principalmente para alimentação.

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